Entrevista com a mamãe Camille, exemplo de amor incondicional e superação. {Conscientização Autismo‬}

Olá famílias,

Todo dia 2 de abril comemora-se o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, data decretada pela ONU (Organização das Nações Unidas), desde 2008. No Brasil estima-se que tenhamos 2 milhões de autistas, mais da metade ainda sem diagnóstico. 

O objetivo dessa data especial, é pedir mais atenção ao transtorno do espectro autista (nome "oficial" do autismo). Cremos que com as ações de todos nós, abraçando este causa, conseguiremos os recursos necessários para uma assistência digna aos autistas brasileiros. 

Iniciando nossa participação à campanha nas redes sociais, convidei Camille Groetaers Mercante, pedagoga, 36 anos, mamãe de Felipe, para nos dar uma entrevista. Felipe é diagnosticado com Síndrome de Asperger, tem 9 anos e cursa o 5º ano. 

Tive o privilégio de dar aula para o Felipe quando ele estava no 3º ano e pude conhecer a mãe maravilhosa e dedicada que é Camille. Meu coração se enche de alegria e orgulho por recebê-los aqui no blog Meu Mundo Materno. Obrigada! 


MMM - Como você descobriu que seu filho é autista?
Camille - Aos dois anos Felipe era fissurado por ventiladores e se isolava das outras crianças.  Depois de uma conversa com a professora da escolinha em que ele estudava, decidi procurar ajuda profissional e aos três anos meu filho teve o diagnóstico de Síndrome de Asperger, um transtorno do espectro autista, diferenciando-se do autismo clássico por não comportar nenhum atraso ou retardo global no desenvolvimento cognitivo ou da linguagem do indivíduo. 

MMM - Como foi o processo de aceitação ao saber que seu filho é autista?
Camille - Diante desse diagnóstico, tive meus medos, insegurança, depressão... Mas logo pensei que o progresso e o sucesso do meu filho dependiam de mim e que eu teria de estar bem para começar a luta. Felipe começou com todas as terapias necessárias e, em apenas dois meses, percebemos o sucesso! Sua vitalidade, seu carisma e vontade de vencer fizeram com que ele superasse todas as etapas.

MMM - O diagnóstico foi rápido?
Camille - O processo de diagnóstico durou cerca de oito meses depois de entrevistas e observações clínicas.

MMM - Quais são os tratamentos específicos para o autismo?
Camille - O diagnóstico precoce é essencial para o tratamento de crianças com autismo. O tratamento envolve intervenções psicoeducacionais, orientação familiar, desenvolvimento da linguagem e comunicação. O recomendado é que uma equipe multidisciplinar avalie e desenvolva um programa de intervenção orientado a satisfazer as necessidades particulares a cada criança. Dentre alguns profissionais que podem ser necessários, estão Fonoaudiólogo, Psicopedagogo, Terapeuta Ocupacional e Psicólogo.

MMM - Seu filho faz algum tipo de acompanhado com esses profissionais?
Camille - Atualmente Felipe faz acompanhamento psicopedagógico e fez fono durante 6 anos. 

MMM - Seu filho frequenta escola especial?
Camille - Não.

MMM - O que pensa sobre a Inclusão Escolar?
Camille - Sou a favor de uma capacitação continuada para professores e acredito que a verdadeira Inclusão escolar é aquela que proporciona uma educação voltada para todos, de forma que qualquer aluno que dela faça parte, independente deste ser ou não portador de necessidades especiais, tenha condição de conhecer, aprender, viver e ser, num ambiente livre de preconceitos que estimule suas potencialidades e a formação de uma consciência crítica. 

MMM - Você e seu filho já sofreram algum tipo de preconceito por conta dessa condição?
Camille - Não sofremos, mas sei que o preconceito vem de casa, da educação recebida pelos pais.

MMM - Existe algum tipo de atendimento público para atender as pessoas com autismo e seus familiares?
Camille - Sim, aqui em nossa cidade Volta Redonda temos a Escola Municipal Especializada Prof. Dayse Mansur que atende alunos até 17 anos e o SEMEIA- Sítio Escola Municipal Espaço de Integração do Autista , para alunos a partir de 18 anos.

A Lei nº 12.764 institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista e prevê a participação da comunidade na formulação das políticas públicas voltadas para os autistas, além da implantação, acompanhamento e avaliação da mesma. Com a Lei, fica assegurado o acesso a ações e serviços de saúde, incluindo: o diagnóstico precoce, o atendimento multiprofissional, a nutrição adequada e a terapia nutricional, os medicamentos e as informações que auxiliem no diagnóstico e no tratamento. Da mesma forma, a pessoa com autismo terá assegurado o acesso à educação e ao ensino profissionalizante, à moradia, ao mercado de trabalho e à previdência e assistência social.

MMM - Como você pensa que a sociedade pode contribuir para o desenvolvimento e inclusão de crianças autistas?
Camille - Acho muito importante e necessário buscar saberes a respeito do autismo e informar, não só aos amigos, mas também a toda sociedade de modo geral. Conceitos ultrapassados, preconceitos e mitos ainda predominam sobre o autismo. É preciso uma conscientização de que estamos nos referindo a um ser humano
Espero que todos possam olhar o autismo de forma diferente, compreender que as pessoas com esse transtorno precisam e devem ser tratadas com muito respeito, responsabilidade, igualdade, dignidade e qualidade de vida.

MMM - Em quê sua vida é diferente por ter um filho autista? Como é o seu dia a dia, casa, trabalho e mais os cuidados com o seu filho?
Camille - Minha vida não é diferente por ter um filho com transtorno do espectro autista. O que mudou foi a minha forma de ver o mundo e as pessoas. Hoje posso dizer que sou uma pessoa melhor!! Procuro sempre conciliar meu trabalho com o horário que Felipe está na escola, para que em casa tenhamos tempo para estudarmos e brincarmos juntos.

MMM - Quais as suas expectativas para o futuro do seu filho?
Camille - Espero e trabalho muito para que meu filho cresça com independência, autonomia e que seja muito feliz!

MMM - Qual o seu recado para pessoas que convivem com crianças autistas?
Camille - É fundamental demonstrar apoio e carinho, conheça a criança e procure entender sua maneira de se expressar, crianças autistas tem formas particulares de mostrar seus sentimentos.
Respeito e muito amor acima de tudo!




*Fotos cedidas por Camille. Proibida reprodução.

Camille e Felipe participaram de uma campanha sobre a conscientização do autismo na TV RioSul.


Se você quiser saber mais sobre o Autismo, abaixo relacionei alguns sites que focam sobre este assunto:



Fui convidada pela querida Imoni Marinho para participar do Desafio Azul, onde várias pessoas publicarão informações sobre o Autismo, participe também! Vamos deixar nossas redes sociais "azuis"!

Abraços, Genis Borges ;)



Comentários
8 Comentários

8 comentários:

  1. Linda história!! São crianças mais que especiais, que nos ensinam muito todos os dias!!

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  2. OI Genis, obrigada por ter ido no meu blog. Beijos e abraços coloridos, Maria Clara ♥☻

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  3. Adorei saber um pouco mais sobre o assunto, porque por mais informações que se tenha, esse tema sempre tem algo a mais a acrescentar.
    O vídeo ficou ótimo, adorei por ser simples e eficaz.
    Parabéns pela linda entrevista, as perguntas muito diretas e as respostas bem esclarecedoras.
    A Camille só posso deixar meus parabéns por esse amor incondicional que ela dá e recebe, e dizer que o Felipe é lindo!
    Tem um olhar vivo e um sorriso brilhante!
    Desejo que os sonhos da Camille e do Felipe se realizem e que sejam muito felizes!
    Bjinhos.
    www.prosaamiga.com.br

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  4. Uma entrevista maravilhosa
    parabéns pela participação
    e pela sua garra e força
    também acredito que preconceito começa
    em casa e que uma escola para todos
    é o melhor caminho

    Linda Noite!!
    beijokas da Nanda

    Mamãe de Duas

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  5. Que entrevista maravilhosa, muito importante falar mais sobre esse assunto tão pouco divulgado.
    Parabéns Camile pela força e pela garra!!!
    Felipe é lindo e a cara da mamãe!
    bjcas
    http://www.estou-crescendo.com/

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  6. Também tenho essa consciência de falar sobre o assunto, para que a sociedade saiba lidar com a situação, ajude, apoie, entenda...
    Adorei a conversa, a entrevista, e amei as fotos...
    Camille adorei suas palavras, que a educação e o preconceito vem de casa, e a gente é que tem que passar boa educação e exemplos, sempre... Deus abençoe a família. Amei conhecer vc Camille e ao Felipe...
    Bjs
    Ju
    http://www.maesemfronteiras.com.br/

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  7. Que linda história.. Obrigada por dividir conosco!!

    Super importante abordar esse assunto, pois eu mesma conhecia muito pouco!!

    Beijos,ótima semana!!

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  8. Oi Genis! Eu acho que inclusão começa com informação, e você como sempre está de parabéns por abrir a porta a esse tema tão importante e que sabemos, carece de informação, ou vem carregado de conceitos errados e preconceito.
    Camille, que Deus continue te abençoando. Parabéns pela garra e força, e por "mostrar a cara" para informar as pessoas um pouco mais sobre o assunto, pois só com informação, conseguiremos formar uma sociedade que realmente "inclui"!
    Beijos
    http://www.mamaeaprendiz.com

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