Mídia e Infância

A palavra mídia em português pode ser definida como um meio de comunicação de massa, que influencia o comportamento das pessoas, no modo de pensar, ser e agir de modo que “fornecem parâmetros para as pessoas forjarem suas identidades” (KELLNER apud MOMO, 2007, p.56). 

A cultura midiática está presente no nosso cotidiano e com frequência nossas ações são envolvidas por ela. Todos nós, independente da situação financeira, somos rodeados por televisão, rádio, internet e por vários outros meios midiáticos. 

Especialistas afirmam que uma criança antes de completar 3 anos e meio já reconhece diversas marcas e manifestam a crença que elas comunicam qualidades. Uma pesquisa da empresa Discovery Kids em 2011 afirmou que 57% das crianças possuem TV no quarto. Na hora de selecionar o conteúdo, 64% dos pais afirmam que é a criança quem decide ao que vai assistir e qual canal prefere.  No Brasil, uma criança passa mais de 5 horas em frente à TV; a criança brasileira é a que mais vê televisão no mundo, considerando o fato de que nem sempre os pequenos veem o que é ideal à sua faixa etária.  O Brasil é o 2º país maior consumidor de produtos infantis destinados às pessoas de 0 a 10 anos. Estudo da McCann-Erickson do Brasil indicou que 76% dos pais cedem aos pedidos dos filhos no supermercado. 

Ao entrar em contato com a mídia, as crianças são bombardeadas por informações, anúncios que estimulam o desejo de posse e ditam comportamentos. E por ainda estarem em desenvolvimento, as crianças são mais vulneráveis que o adulto e fortemente impactada pelas mídias de massa, sofrendo cada vez mais cedo com as graves consequências desse mundo midiático, como:

Obesidade infantil: Vivemos numa sociedade marcada pela rapidez, inclusive na alimentação. Hoje, a alimentação de muitas crianças é baseada em fast foods ou alimentos industrializados, pobres nutricionalmente, o que acarreta a obesidade infantil ou até a desnutrição.

Erotização precoce: Muitas campanhas publicitárias estimulam precocemente essa erotização. Crianças de quatro, cinco anos participam de concursos de miss nos Estados Unidos, fortemente maquiadas, com roupas apelativas à sensualidade. As crianças veem programas, novelas que contém cenas inadequadas a sua compreensão, usam roupas apelativas que não condizem com o mundo infantil. Em entrevista ao Instituto Alana, a psicóloga Ana Olmos, enfatiza que a erotização precoce acontece antes da fase em que a criança estaria pronta para determinado estímulo. Quando este estímulo acontece precocemente pode acarretar problemas para a infância. 

Consumismo infantil: A criança já nasceu inserida num mundo consumista e o mercado  a vê como um consumidor em treinamento, que hoje, influencia diretamente nas compras dos pais. Além disso, a publicidade é muito sedutora, pois fala diretamente com a criança, na linguagem dela, estampando nas embalagens os personagens favoritos para chamar atenção.

Agressividade: Muitos programas infantis salientam a violência, o que pode influenciar a criança a repetir/imitar as ações de seus personagens favoritos. Também há aquelas crianças que veem programas e filmes violentos com os pais, que não são adequados para a sua faixa etária, nem fazem parte do imaginário infantil.

Diminuição do ato de brincar: Rodeadas de tecnologias, as crianças brincam cada vez menos, pois ficam dependentes dos brinquedos e produtos tecnológicos que o mercado oferece. Vale ressaltar que hoje os brinquedos estão muito roteirizados, o que prejudica a ação criativa da criança sobre o produto.



A mídia tem muitas coisas positivas, nos permite coisas que antigamente nem sonhávamos em fazer, porém, tudo em excesso é prejudicial. A crítica apresentada no texto se refere a quando nos deixamos dominar e contribuímos para que as crianças sejam também dominadas pela mídia. O que podemos fazer, enquanto família e escola, é dosar, não proibir, conhecer e analisar os programas infantis, permitir outras vivências para a criança e estimular a criticidade sobre o que está vendo. Dessa forma estaremos contribuindo para que esse cidadão não seja passivo e não acredite fielmente no que os meios de comunicação transmitem.


Aline Sant'Ana
Pedagoga
Estudante de Psicopedagogia


Comentários
8 Comentários

8 comentários:

  1. Parabéns Aline !!!
    O texto está Fantástico

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  2. Genis, boa reflexão, precisamos incentivar os pequenos a se mexerem, saírem um pouco do mundo tecnológico e televisivo .
    Uma semana abençoada!
    http://feitocomcarinhodemae.blogspot.com

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  3. Gostei muito do texto porque é uma realidade difícil que estamos vivendo. Tão complicado o limite entre o que pode ver e o que está excesso. Aqui em casa tento ponderar sempre. Bjs

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  4. É preciso estar alerta com as propagandas e a prática do consumismo desenfreado, o incentivar as compras, o consumo de industrializados, bem em tudo costumes, úsica alienação. Eu já te sigo aqui faz tempo Genis, só hoje percebi que é a mesma do IG hehehe

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  5. Sempre acompanho ao que minhas filhas assistem tanto na TV como na internet. E procuro conversar sempre que acho necessário ou quando elas me perguntam algo. Procuro também estimular as outras brincadeiras e a leitura de livros, assim elas não ficam tanto tempo numa coisa só.
    Realmente a publicidade influencia e muito, por isso não só dou o exemplo a elas sendo controlada nos gastos como também as oriento.
    Beijinhos!

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  6. Acho dificil proibir, mas especialmente os menores precisam de moderação no uso.
    os maiorzinhos precisam da supervisão dos pais e assim vamos
    bjs
    Lele

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  7. É tão difícil não deixar ter acesso as tecnologias, mas acho que é nosso papel, dosar e supervisionar

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  8. Pois é amiga, a situação está bem complicada. A Lara nem tem 4 anos e adora videos no youtube desses canais de crianças que recebem brinquedos e depois fica me pedindo. Eu controlo, claro, mas criança vê e quer né?
    E por isso mesmo até hoje não criei um canal no YT. Prefiro o blog, direcionado para mães e não para crianças.

    http://www.arianebaldassin.com/

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